É muito difícil admitir que tive depressão pós - parto.... Até hoje, um ano e oito meses depois do nascimento do meu maior tesouro acho difícil falar sobre isso.
O Miguel não foi planejado. Estava namorando e me descobri grávida, mais desde o momento que vi aquele dois famosos tracinhos eu o desejei mais que tudo. Me sentia plena.... completa... e muito amada e feliz.
Tive uma gravidez muito tranquila. Não trabalhei durante a gravidez. Passava meus dias em casa, descansando e vendo programas sobre partos e bebes. Imaginava o tempo inteiro como seria ter um bebê em casa, como seria minha vida, lia tudo o que podia, sabia tudo sobre gravidez, enfim fiz a lição direitinho.
Até que chegou a hora do parto. Pela primeira vez, não tive medo de hospital e muito menos da cirurgia... Tinha chegado a tão esperada hora, enfim eu ia conhecer meu bebê.
Mais nada que eu tinha lido falava sobre as coisas estranhas que passei a sentir depois do nascimento do meu filho.
Ele nasceu... lindo, e forte.
Era um bebê realmente lindo. Gorduchinho, rosadinho.... lindo, lindo.
Mais eu estava ali... me sentindo uma estranha naquela cena. Confesso que até hoje não entendo direito em que momento essa tristeza começou. Não sei se foi antes do parto (as vezes acho que foi), ou se foi de imediato, não sei mesmo.
Eu sei que eu me via ali na cama, debilitada ( e olha que não me lembro de sentir dor na cesarea), aquele bebê lindo, aquele tanto de visitas... por mais que eu tivesse me preparado para aquele momento, eu não me sentia confortável nele. Meu leite não desceu, no primeiro dia, nem no segundo, e nem nos demais dias.... O Miguel chorava de fome, e eu me sentia a pior mãe que ele podia ter, incapaz de alimentá-lo.
É difícil descrever os sentimentos de uma mãe com depressão pós-parto. Eu me sentia uma mãe ruim o tempo inteiro, por mais que eu me esforçasse para fazer tudo. Olhava para o Miguel, e achava estranho pensar que aquele bebê era meu, por mais lindo que fosse ( e depois quase morria de chorar por pensar essas coisas), ficava parada olhando pro nada, com aquele bebê no colo, e tinha pavor de ficar sozinha com ele em casa. Foi uma fase muito difícil, e que eu não havia me preparado.
Com o tempo e a medicação, as coisas foram melhorando. Passei a não me culpar por ter que dar uma mamadeira pro meu filho, e não me culpar se as coisas não estavam tão organizadas quanto aquelas fotos de revistas que eu tinha visto, e o mais importante: passei a amar meu filho, mais do que qualquer medo que eu tinha.
As pessoas não entendem as mães que sofrem de depressão pós - parto, julgam; quando o que elas mais precisam é apenas de atenção e amor....
Ser mãe é um caminho que deve ser percorrido um pouquinho por dia. Todo dia se caminha um pouco e se aprende um pouco. Ninguém nasce sabendo ser pai ou mãe. Isso é uma coisa que se aprende todos os dias percorrendo esse caminho.
E acreditem: O maior professor que existe para essa profissão é esse bebê lindo e indefeso. É ele que vai ensinar que tipo de mãe ele precisa....
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